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terça-feira, 5 de maio de 2026

Dizem que o tempo para quando o mundo encerra seu expediente para os fortes,

Mas em mim, o tempo é um mecanismo de pedra.

Não há dilúvio nos olhos, nem o sal no rosto,

Apenas o silêncio de um motor que parece em repouso.


Minha mente é um enxame que não sabe dormir,

Fervilha no escuro, com muitos espaços onde ir.

Por fora, o sossego de quem nada diz,

Por dentro, o ruído de uma raiz miserável , podre e infeliz.


O choro é raro, o rosto incerto,  o sorriso teimoso é aberto 

Mas o corpo resolve o que foi represado:

O sangue acelera, o visor marca o alto,

A pressão é o grito que sobra no alto.


Busco o lúpulo, o amargo, o ritual do malte artesanal,

No copo de vidro, que a mente se acalte.

Não é só bebida, é o peso do gole,

Tentando fazer com que o pensamento amole.


E quando a crise me exige o caminho,

Eu ganho a distância, o mundo e o sozinho.

Ando quilômetros, fujo do centro,

Gastando a sola do que queima por dentro.


Não é indiferença, nem peito deserto,

É um sistema complexo, de cálculo incerto.

O a tristeza, a ansiedade não sai pelo olho, em lamento,

Ele sai pelo passo, no cansaço e no vento.