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domingo, 1 de novembro de 2026

Mais do mesmo: vítima!

 O remédio tenta frear o corpo, mas a mente continua em rota de colisão com o mundo. Inserindo o novo fragmento de exaustão sensorial, o peso da inadequação e a urgência do colapso na mesma toada lírica, a fala ganha este contorno dramático:

Hoje, mesmo após o alívio breve prometido pelo remédio, o velho sentimento retornou — o pensamento afiado que busca o próprio fim. As lágrimas descem salgadas pela face desolada, carregando consigo o desejo improvável de sumir para abreviar a dor.

Logo ele... que se sacrificou para sustentar o dia inteiro, para forçar a interação com estranhos, suportando a areia entre os dedos dos pés, o barulho ensurdecedor, a fome e o sol escaldante que castiga a pele. Ele, que carrega a urgência irrequieta da neurodivergência e a ausência urgente dos hiperfocos para ancorar o pensamento. Como apaziguar esse motor interno? Como suportar o amanhecer que já desaba em reclamações e ativa todos os gatilhos adormecidos?

É sempre a mesma presença, os mesmos motivos de sempre, o mesmo tom cortante que estilhaça os tímpanos. Ali estão, inalterados, o dedo que aponta os olhos e o olhar que desperta o medo mais profundo.

Dividido entre o esforço exaustivo de agradar aos outros e a ruína silenciosa de si mesmo, resta o peso da pergunta suspensa no ar:

E sobre a mesa, a cartela rosa... será que ela dá conta do que resta?

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Noites


Você fecha os olhos e os pensamentos começam a brotar como se estivessem atrasados há anos.

Então, você revive conversas que já terminaram.

Você enfrenta problemas que ainda nem aconteceram.

Você procura respostas para perguntas que provavelmente não tem solução.

O silêncio da madrugada não te acalma. 

Ele amplifica tudo o que você tentou esquecer durante o dia.

Existe um cansaço que não é fisico. 

Eu não sei descrevê-lo. 

É um cansaço de quando a alma passa tempo demais carregando um peso que ninguém consegue ver.

 Paulo Liberalesso

domingo, 30 de agosto de 2026

 Perido, confuso, com medo, ansioso... com consciência que preciso abrir passagem numa estrada que não é minha!

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Pássaro branco

 O abismo não se apaga com mais abismo.

A noite não clareia a noite que no peito jaz.

Tentar curar a dor com a própria dor,

É como querer apagar o fogo com chamas,

Ou o frio com gelo, ou o sal com lágrimas.


O ultrarromântico se delicia em seu sofrimento,

Cria musas de mármore e lamentos de cetim.

Mas a escuridão não cura a escuridão,

Apenas a torna mais profunda e sem fim.


O cínico, em sua torre de lucidez fria,

Ri da comédia humana e de sua vã esperança.

Ele sabe que a escuridão, naquele instante, é a sua única verdade,

E que o sol, quando nasce, é apenas uma trapaça.


O existencialista, com seu peso de responsabilidade,

Busca um sentido no vácuo, uma razão para agir.

Mas a escuridão não cura a escuridão,

E ele se vê, solitário, no palco do absurdo, a sorrir.


E a mente neurodivergente, no meio de tanta dor,

Analisa, hiperfocada, o padrão do sofrimento.

Procura a lógica no caos, o algoritmo do amor,

E encontra, no final, apenas o silêncio do momento.


Sim, a escuridão não cura a escuridão,

Isso eu sei com a clareza de um copo de vidro.

Mas é nela que eu encontro a minha própria razão,

E é nela que eu me perco, em meu próprio delírio.

Enquanto o mundo corre, em sua pressa de viver,

Eu me fecho em minha bolha, em meu refúgio secreto.

Bebo a minha cerveja, sem glúten e sem culpa,

E aceito a escuridão, c

omo o meu destino predileto.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Reflections of my life: da luz do sol para a luz da lua

Chegar aos 43 anos e se perceber trancado em um loop negativo é uma das sensações mais sufocantes que existem. Não se trata de uma busca egoísta por liberdade, mas do desejo simples de respirar, de ser espontâneo e de não viver sob a vigilância constante de um tribunal invisível, onde cada silêncio ou gesto é lido como uma falha. Quando o estoque emocional zera, ser cobrado por algo que você simplesmente não tem para oferecer faz a mente entrar em curto-circuito.

O corpo sente o impacto desse esgotamento crônico. A enxaqueca frontal lateral que vai e volta, os calafrios, a instabilidade intestinal súbita e o sono fragmentado na madrugada são os disjuntores biológicos desarmando. Diante da exaustão de passar anos se reprimindo e abrindo mão de si mesmo para evitar conflitos, o cérebro ativa mecanismos de defesa: o choro espontâneo a sós e a alienação mental — aquele estado aéreo onde você está fisicamente presente, mas psicologicamente protegido atrás de uma parede invisível de distanciamento.

Essa dinâmica gera uma sensação dolorosa de isolamento territorial, transformando quem você achava que era o seu porto seguro em um espaço onde você se sente um estrangeiro, rotulado e silenciado. Surge daí a urgência de ter um refúgio próprio, um território onde seja possível ditar as próprias regras e resgatar a autonomia. Mas mesmo a alternativa de recuar para caminhos antigos traz o medo legítimo de trocar uma gaiola por outra.

Como nos versos de “Reflections Of My Life” da banda Marmalade, o clamor “Take me back to my own home” é a busca desesperada por um lugar de segurança. E no trecho “The world is a bad place... Oh, but I don't wanna die”, revela-se a verdadeira essência desse cansaço: não há o desejo de desistir, mas sim um manifesto de resistência. É o desalento de um provedor exausto que se doou ao limite, mas que ainda recusa o fim. O choro e o recolhimento atuais não são sinais de fraqueza, são os reflexos de uma vida em transição, tentando reencontrar o próprio chão em meio à mudança.


quinta-feira, 2 de julho de 2026

 É FODA PASSAR POR ESSA VIDA E NÃO TER UM PAI COM QUEM CONVERSAR, SE ABRIR... COMO HOMEM, TER QUE ENGOLIR SECO TUDO E TODOS E APRENDER NA FORÇA DA TRISTEZA E DO EMPÍRICO COMO LIDAR CM CADA SITUAÇÃO

Amo o desejo mais que o objetio desejado

 O espelho não é vidro, 

é fronteira. 

Do lado de cá, 

o universo se curva; 

do lado de lá, 

a luz se perde em poeira, 

num vácuo onde a própria sombra se turva.


É um banquete de um homem só, 

onde o prato principal é o desejo, 

pois ama o querer mais que o objeto desejado, 

e a fome do outro é apenas um nó que se desfaz no cinismo do espelho.


O "eu" é a bússola que sempre aponta para o próprio umbigo, 

em giro constante, 

incapaz de ler a soma que conta o que o outro sente, 

em qualquer instante.


Quem se ama demais, 

em excesso de peso, 

caminha em círculos, 

cego de si, 

plantando o isolamento como um rezo de um deus que habita o vazio aqui.


O mundo, 

então, 

torna-se tela branca, 

pintada apenas com o próprio tom; 

e a vida, 

que é troca, 

se torna manca, 

esquecendo o compasso do que é comum e bom.


No fim, 

o egoísmo é uma ilha cercada por águas que ele mesmo represou: 

quem só enxerga a própria estrada, 

acaba sozinho, 

onde a estrada parou.

domingo, 31 de maio de 2026

Viver não é apenas ver o tempo passar,

Não é calar o peito para o mundo aceitar.

É ter a coragem de mudar de rumo e de chão,

Mesmo carregando o peso de uma dolorosa partida na mão.

Deixar o que se ama dói, rasga e consome,

Mas insistir no que sufoca apaga o nosso próprio nome.

Aos quarenta e três, a vida exige o seu valor,

O direito de buscar a paz, muito além da dor.

Não é sobre o fim, é sobre o recomeço que se desenha no olhar,

É sobre o quarto novo, o trabalho e os filhos para cuidar.

Toda pessoa morre, o relógio não vai parar,

Mas viver de verdade é o que escolhemos resgatar.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Você passa anos tentando fazer a coisa certa, tentando ser o homem que esperam que você seja, até que um dia percebe que a sua própria vida passou e nenhum desses anos foi seu.

domingo, 24 de maio de 2026