Dizem que o tempo para quando o mundo encerra seu expediente para os fortes,
Mas em mim, o tempo é um mecanismo de pedra.
Não há dilúvio nos olhos, nem o sal no rosto,
Apenas o silêncio de um motor que parece em repouso.
Minha mente é um enxame que não sabe dormir,
Fervilha no escuro, com muitos espaços onde ir.
Por fora, o sossego de quem nada diz,
Por dentro, o ruído de uma raiz miserável , podre e infeliz.
O choro é raro, o rosto incerto, o sorriso teimoso é aberto
Mas o corpo resolve o que foi represado:
O sangue acelera, o visor marca o alto,
A pressão é o grito que sobra no alto.
Busco o lúpulo, o amargo, o ritual do malte artesanal,
No copo de vidro, que a mente se acalte.
Não é só bebida, é o peso do gole,
Tentando fazer com que o pensamento amole.
E quando a crise me exige o caminho,
Eu ganho a distância, o mundo e o sozinho.
Ando quilômetros, fujo do centro,
Gastando a sola do que queima por dentro.
Não é indiferença, nem peito deserto,
É um sistema complexo, de cálculo incerto.
O a tristeza, a ansiedade não sai pelo olho, em lamento,
Ele sai pelo passo, no cansaço e no vento.
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