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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Amo o desejo mais que o objetio desejado

 O espelho não é vidro, 

é fronteira. 

Do lado de cá, 

o universo se curva; 

do lado de lá, 

a luz se perde em poeira, 

num vácuo onde a própria sombra se turva.


É um banquete de um homem só, 

onde o prato principal é o desejo, 

pois ama o querer mais que o objeto desejado

e a fome do outro é apenas um nó que se desfaz no cinismo do espelho.


O "eu" é a bússola que sempre aponta para o próprio umbigo, 

em giro constante, 

incapaz de ler a soma que conta o que o outro sente, 

em qualquer instante.


Quem se ama demais, 

em excesso de peso, 

caminha em círculos, 

cego de si, 

plantando o isolamento como um rezo de um deus que habita o vazio aqui.


O mundo, 

então, 

torna-se tela branca, 

pintada apenas com o próprio tom; 

e a vida, 

que é troca, 

se torna manca, 

esquecendo o compasso do que é comum e bom.


No fim, 

o egoísmo é uma ilha cercada por águas que ele mesmo represou: 

quem só enxerga a própria estrada, 

acaba sozinho, 

onde a estrada parou.

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