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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Pássaro branco

 O abismo não se apaga com mais abismo.

A noite não clareia a noite que no peito jaz.

Tentar curar a dor com a própria dor,

É como querer apagar o fogo com chamas,

Ou o frio com gelo, ou o sal com lágrimas.


O ultrarromântico se delicia em seu sofrimento,

Cria musas de mármore e lamentos de cetim.

Mas a escuridão não cura a escuridão,

Apenas a torna mais profunda e sem fim.


O cínico, em sua torre de lucidez fria,

Ri da comédia humana e de sua vã esperança.

Ele sabe que a escuridão, naquele instante, é a sua única verdade,

E que o sol, quando nasce, é apenas uma trapaça.


O existencialista, com seu peso de responsabilidade,

Busca um sentido no vácuo, uma razão para agir.

Mas a escuridão não cura a escuridão,

E ele se vê, solitário, no palco do absurdo, a sorrir.


E a mente neurodivergente, no meio de tanta dor,

Analisa, hiperfocada, o padrão do sofrimento.

Procura a lógica no caos, o algoritmo do amor,

E encontra, no final, apenas o silêncio do momento.


Sim, a escuridão não cura a escuridão,

Isso eu sei com a clareza de um copo de vidro.

Mas é nela que eu encontro a minha própria razão,

E é nela que eu me perco, em meu próprio delírio.

Enquanto o mundo corre, em sua pressa de viver,

Eu me fecho em minha bolha, em meu refúgio secreto.

Bebo a minha cerveja, sem glúten e sem culpa,

E aceito a escuridão, c

omo o meu destino predileto.

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