O abismo não se apaga com mais abismo.
A noite não clareia a noite que no peito jaz.
Tentar curar a dor com a própria dor,
É como querer apagar o fogo com chamas,
Ou o frio com gelo, ou o sal com lágrimas.
O ultrarromântico se delicia em seu sofrimento,
Cria musas de mármore e lamentos de cetim.
Mas a escuridão não cura a escuridão,
Apenas a torna mais profunda e sem fim.
O cínico, em sua torre de lucidez fria,
Ri da comédia humana e de sua vã esperança.
Ele sabe que a escuridão, naquele instante, é a sua única verdade,
E que o sol, quando nasce, é apenas uma trapaça.
O existencialista, com seu peso de responsabilidade,
Busca um sentido no vácuo, uma razão para agir.
Mas a escuridão não cura a escuridão,
E ele se vê, solitário, no palco do absurdo, a sorrir.
E a mente neurodivergente, no meio de tanta dor,
Analisa, hiperfocada, o padrão do sofrimento.
Procura a lógica no caos, o algoritmo do amor,
E encontra, no final, apenas o silêncio do momento.
Sim, a escuridão não cura a escuridão,
Isso eu sei com a clareza de um copo de vidro.
Mas é nela que eu encontro a minha própria razão,
E é nela que eu me perco, em meu próprio delírio.
Enquanto o mundo corre, em sua pressa de viver,
Eu me fecho em minha bolha, em meu refúgio secreto.
Bebo a minha cerveja, sem glúten e sem culpa,
E aceito a escuridão, c
omo o meu destino predileto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário